A sério, mesmo, só uma criança a brincar
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005
Certezas improváveis
De quantas maneiras posso eu não saber a mesma coisa?
Fiz as contas e fiz de conta que continuei a não saber.
Que saber poderia eu ter para saber que o meu saber é suficiente?
Não sei.
Por isso não sei ainda o suficiente para saber que o que sei é suficiente.
Mas já sei, e estou convicto, que o que sei é mais do que precisava saber para saber o que sei.
Há ocasiões em que sei que já sei tudo.
Não são muito frequentes – diria mesmo que são cada vez mais raras – mas quando acontecem trazem para o elemento instantâneo da memória formas quase certas da existência.
E fico, nesse momento, com certezas quase permanentes sobre o destino e sobre a realidade.
Formas ocultas sem dúvida, sem dúvidas, sem hesitações, sem tristezas, sem tédios e sem medos.
Que banalidades haverá para lá do saber tudo?
Mas o meu jogo há-de ser sempre com o saber.
Não com a mera acumulação de dados – que sei eu? – nem com a estranha ilusão de transformar tudo em números.
O meu jogo há-de ser sempre com essa vacuidade do próprio saber, com aquelas coisas que serão – quem sabe? – universais no tempo e no espaço, saber e conhecimento que não perdem validade nem têm prazo.
O meu jogo é saber do próprio saber uma formulação eterna e insaciável de partículas capazes de conviverem todas no mesmo lugar sem que o espaço-tempo as perturbe.
Mas eu não sei se existe esse saber.
Porque até hoje, na minha busca desastrada de saber mais, mais não tenho encontrado que saber que não sabe, conhecimento que não conhece, tempo que passa, espaço que se ocupa, energia que se gasta e medo que se renova.

prólogo


publicado por prólogo às 20:26
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2005
O Mal de Montano
Há pouco, num impulso, beijei um livro. Nunca tinha beijado um livro. Nem a Bíblia Sagrada no tempo em que eu tentava contrariar a minha incapacidade para o espiritual.

Há pouco, num impulso, beijei um livro. Beijei "O mal de Montano".
Talvez não fosse "O mal de Montano" que eu queria beijar. Talvez não fosse um livro que eu queria beijar.

Mas foi um livro que eu beijei. Num impulso. Nunca tinha beijado nenhum livro.
Não sei porque é que beijei o livro. Nem interessa. Interessa sim que beijei um livro, num impulso.

De facto, o que interessa é o impulso.
Suponho que só estou a tomar nota deste beijo que dei num livro porque houve um impulso que me levou a beijar "O mal de Montano".
Foi o impulso, a sensação especial que se seguiu a ter cedido ao impulso, que não qualificarei, de beijar um livro.

Porque este registo, esta sequência de caracteres, tem todo o sentido agora que a escrevo apenas porque beijei um livro. Num impulso.

Depois estive a olhar-me ao espelho. A ver quem era este personagem que se tinha deixado, num impulso, beijar um livro, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

E o personagem, do espelho, gesticulou um sorriso, um sorriso com sinais de ter beijado um livro e nos lábios vi-lhe a marca de ter sido beijado por um livro.


amm(4CE)


publicado por prólogo às 22:54
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