A sério, mesmo, só uma criança a brincar
Terça-feira, 3 de Outubro de 2006
Entretanto

Tretas, dizes tu com toda a razão do teu lado e eu sozinho, aqui, em vez de mal acompanhado como no inferno cheio de boas intenções a empinar o melodrama até a trama das coisas quentes que caem do céu aos trambolhões como a casa em que não há pão nem vinho nem o céu do nosso descontentamento desviado para o lado pela força de segurança regressiva, uma fonte que planeia a todo o custo reservar o lado de si própria para a força oculta que se mostra com timidez cor de laranja ainda verde nas ocasiões mais impróprias para consumo, pontífice de lado a lado como a cobra que se cobre de pele de vaca morta num acidente de viciação consentida e desmaiada da pior maneira virgem de oliveira cruzada sobre a vinha que ia até ao fim da estrada apagada do mapa genético pelas horizontais praias lusitanas prenhes de areais cinzeiros destapados pela gula ululante dos gládios envelhecidos como cascos de cavalos a vapor decididos a revelar a história mal contada e mal curada pela árvore que dos tamancos fez alpercatas dominadas por tudo o que é razão de não ser nem pensar para quê se não sabes o que tens a não dizer, e então porque não, se é assim que todos fazem não vamos agora melhorar o mundo do pé para mão só porque nos apetece por um egoísmo malvado e manipulado por mãos de vime e fui-me embora outra vez desolado, desossado, desobrigado de obedecer à colecção do arquivo central da torre do tombo dado às escuras sobre o planalto uniforme da morte que tudo leva democrática como a prática do aprendiz que tudo faz para não fazer nada e assume perante todos que o que sabe a ele o deve e nunca mais lhe vai pagar porque não tem crédito na banca de jornais onde mais tarde ou mais cedo o lume se apaga em tochas de carvão activado para carbono puro diamante polido e valente de espadas e cardos ordenados ao longo da estrada para pagamento adiantado das folhas de eucalipto que tu, barão somas a seguir ao acordo em que estavas depois de ter adormecido na forma de bolos atrás da cruz quebrada de pedra que nunca mais é desconcertada pelas palavras inconvenientes que ocorrem ou andam de vagar que se vai ao longe na distância da Terra à tua casa com um solteiro velho e rico de intenções de ouro amarelo canário a piar à noite na cadeia de vontades que faz crescer o pão que o diabo comprou no supermercado das fraldas descartáveis de pano de abertura de palco com pó de talco tal e qual como te tinha dito antes de saber que havia um lugar remoto controlado pelo dedo de Deus.

Prólogo



publicado por prólogo às 18:45
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1 comentário:
De maria de carvalhosa a 5 de Outubro de 2006 às 01:39
Que fôlego! Que catadupa de temas, ideias, palavras verdadeiramente alucinante! Lembra-me o ritmo do"Ulysses", de James Joyce.

Um beijo, Prólogo.


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